leninhaviana:

Quando estamos em meio a uma confusão emocional nossos pensamentos enlouquecem junto.

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Quando estamos em meio a uma confusão emocional nossos pensamentos enlouquecem junto.

leninhaviana:

…E a vida tão generosa comigo…

Jorge Vercillo - Monalisa

Foi o fim da minha noite, foi o fim das minhas estações. Não existia som ao nosso redor, eu olhei pra cima e o vi tentar uma aproximação. Ele iria me tocar pela última vez, eu poderia aproveitar aquele ultimo beijo de piedade, e então ele se aproximou. Pensei cinco vezes antes de tomar coragem e tentar beijá-lo, por um erro de proporções beijou-me no canto da boca. Perguntou-me então com a voz travada porque eu pertencia tanto a ele, a resposta me veio por inteiro.

Pensei em dizer que o meu cabelo anda caindo de tanta preocupação e por preguiça o deixei passar da cintura, que as minhas unhas não são mais afiadas como ele costumava gostar, cortei todas. Pensei em dizer também clichês comprados e baratos, aqueles que namorados apaixonados se declaram por sms, pensei até em fazer uma citação de um autor importante que transmitisse uma imagem sem dó do que sentíamos, pensei nos momentos nossos - todos eles. De como éramos dois em uma semana, na outra éramos metade, no outro mês éramos sobras. Pensei em dizer que meu celular estava quebrando, mexia tanto que a tela não era mais sensível ao toque, apaguei todas as músicas para caber as mensagens que ele mandava. Pensei somente em beijá-lo, em sentir tua boca na minha, sentir o teu gosto, o teu cheiro pela piedosa e ultima vez. Pensei em passar a mão despercebidamente por seu cabelo - gosto do jeito que o vento o joga pro lado. Pensei em cruzar os teus dedos nos meus, só em caso de desabar daquele degrau. Pensei em te puxar pelo braço e gritar na rua vazia, que eu quero tanto ser tua, que digo ao tio da padaria que tu és o homem dos meus livros. Pensei em contar-lhe como senti medo na nossa primeira vez, minhas pernas tremiam por te ter tão perto, tua mão percorria o meu corpo como mapa, nunca esquecerei aquele dia também. Pensei porque estaríamos em uma rua, terminando tudo - tudo. O nosso tudo desceu pelo ralo, a água do chuveiro agora fica presa, inunda o banheiro. Pensei que o meu mundo jamais seria o mesmo sem você, sem nós. Numa tentativa frustrada de mudar, cortei o cabelo, cortei o dedo num copo de vidro, cortei uns recortes novos e colei na porta do quarto, mas aqui em mim nada mudou ainda.

Por uma fração de segundos, só pensei. Não disse uma palavra.
Meus olhos me denunciaram, uma lágrima contou-lhe tudo.

Hélida Carvalho, 14 de julho.   (via fizdemimpoesia)

(Source: recantos)

É preciso reconhecer quando não há mais espaço para palavra alguma. Tudo já foi dito e redito. Agora cabe ao silêncio cuidar de tudo. É bom lembrar que o tempo age fazendo-se de mudo. É momento de deixar as frases se assentarem. O que secou pode brotar. O que queimou pode se regenerar. O que ficou pode voltar. As palavras necessitam de um tempo de maturação para surtirem o efeito esperado. Como na passagem da lagarta para a borboleta, as palavras que agora rastejam amanhã em pouco tempo podem abrir as asas. As palavras guardam um mistério profundo, quiçá, a essência do mundo. As palavras podem criar ou destruir, podem parir ou matar, podem casar ou separar, podem encontrar ou perder… As palavras têm vida própria. Elas são as damas e as tramas do destino, levam deuses para cama e para a lama com a mesma facilidade. São a guerra e o ópio do povo, o buquê dos apaixonados, a promessa e a saudade que não cessa. As palavras são construções imediatas e ao mesmo instante sem pressa alguma para acontecerem. Maior que as palavras somente o silêncio causado pela ausência delas. (Daniel Campos)

Eu sei que eu posso muitas coisas sem você, e eu sei que, se eu tomar um banho quente e comprar uma roupa nova, talvez eu possa querer uma coisa que seja, só uma, sem você. Nada muda no mundo quando você não caminha ao meu lado, as pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar.

Tati Bernardi (via quase-perfeita)

Eu sei que não sei fazer cafuné direito, eu sei que tô sempre com o cabelo desarrumado, só atraio confusão e não costumo escolher as melhores roupas. Eu sei que as vezes eu erro, tenho minhas crises existenciais e aquele medo exagerado de perder. Eu sei que de vez em quando eu colo em você, que quando brigo sou criança. Eu sei que minhas piadas não são lá tão engraçadas, que meu humor não é sempre dos melhores e que meu jeito é todo desajeitado. Eu sei que sou torto, do avesso e as vezes idiota pra caralho. Mas por favor, não desiste de mim não. A gente combina, pode acreditar. Vai dar certo. Tem de ter, pelo menos, um motivo pros meus dedos encaixarem tanto nos teus. Agora, pelo menos dessa vez, eu vou fazer com que dê tudo certo. Confia em mim. Mas por favor, não desiste desse meu jeito desajeitado de ser.

Pedro Rocha (via quase-perfeita)

(Source: skyl1ne)